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Quando passei no vestibular no ano de 1972, um calouro fazia parte dos 0,01% da população que tinha acesso à universidade. Não sei qual é a porcentagem dos que passam hoje no vestibular, mas com certeza não está muito longe dessa antiga cifra. Fazer parte de uma porcentagem mínima dessas é, no mínimo, motivo para muita louvação e, em hipótese alguma, da humilhação a que muitos jovens tem sido submetidos nessa que deveria ser uma alegre hora de sua vida. No entanto, este importante acontecimento sempre foi transformado em algo humilhante, expondo indivíduos vitoriosos ao ridículo e até mesmo a risco de morte. Essa forma de abuso é velha e até hoje a juventude não se deu conta do nível inferior em que realiza suas manifestações, mesmo que conseqüências graves sempre tenham povoado o universo desse hábito de comemoração. Nada contra brincadeiras e demonstrações de alegria, muito bem vindas nessa hora, ninguém aqui quer dar uma de careta. Eu mesma andei distribuindo moedinhas para jovens pintados e amarrados na semana passada. Mas, ficou um sentimento em meu coração - um calouro merece ser tratado com mais consideração e respeito e seria bonito ver o trote acontecer num nível mais elevado, mais inteligente e mais útil, sem contudo perder o seu lado divertido.
criado por Maria Cristina Rosa
06:46:17